domingo, 15 de novembro de 2009

Um tapinha pode não doer, mas também é agressão

A regra número 12 do futebol – "Faltas e Condutas Antidesportivas" – diz o seguinte no que diz respeito às sanções disciplinares por cartões vermelhos:

"Um jogador em campo, substituto ou substituído será excluído
se cometer alguma das sete seguintes infrações:

- jogo brusco grave;

- conduta violenta;

- cuspir em um oponente ou qualquer outra pessoa;

- evitar intencionalmente uma clara oportunidade de gol do
adversário colocando a mão na bola (com exceção do goleiro, desde que na área
penal);

- evitar uma clara oportunidade de gol do adversário mediante
falta punível com tiro livre ou pênalti;

- utilizar-se de linguagem e/ou gestos ofensivos e
abusivos;

- receber uma segunda advertência (cartão amarelo) na mesma
partida"

No jogo de ontem em que o São Paulo garantiu a liderança do Campeonato Brasileiro ao vencer o Vitória por 2x0 no Morumbi, os são-paulinos André Dias e Hugo discutiram rispidamente por discordarem da maneira como o posicionamento do sistema defensivo do Tricolor estava sendo feito em um lance. Até aí, normal, não fosse o fato de um ter empurrado o rosto do outro – e vice-versa – como mostra o vídeo abaixo:

Qualquer agressão, por mais leve que seja, é passível de cartão vermelho. Não é à toa o grifo feito na infração "conduta violenta" da regra número 12 do jogo, detalhada anteriormente: qualquer agressão é uma conduta violenta.

Os jogadores do São Paulo, portanto, deveriam ter sido expulsos. Contudo, André Dias e Hugo levaram apenas um cartão amarelo cada.

Na 21ª rodada, situação semelhante ocorreu no jogo Palmeiras x Inter, no Parque Antártica. Naquela ocasião, o palmeirense Diego Souza agrediu o volante colorado Sandro com um empurrãozinho no rosto. Os dois já travavam um grosseiro bate-boca antes disso. A exemplo do ocorrido na noite de ontem no Morumbi, os dois saíram apenas com o amarelo, que ficou de bom tamanho para Sandro, mas barato para Diego Souza.

Certamente, decisões semelhantes de árbitros ocorreram em outras partidas do Brasileirão. É preocupante, porém, a constatação de arbitragens frouxas e caseiras (em ambas situações relatadas os mandantes foram beneficiados) em detrimento da aplicação da regra do jogo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Revelação de 'mala branca' estaciona no Morumbi. Faz sentido?

O caso da “mala branca” divulgado por jogadores do Barueri após a vitória sobre o Flamengo na 32ª rodada envolveria, em tese, três clubes. Seriam eles: o Barueri, cujos jogadores receberiam a recompensa da “mala”; o Flamengo, o adversário derrotado; e o Cruzeiro, que seria o responsável por oferecer o incentivo aos jogadores do clube paulista.


Eis que, deflagrada a polêmica, o presidente em exercício do Barueri, Marcos Antonio Monteiro de Almeida, resolve afastar o goleiro Renê e o centroavante Val Baiano – os dois jogadores que comentaram sobre a tal “mala branca” em entrevistas após a vitória sobre o Flamengo.


A partir dessa decisão da diretoria do Barueri, outro clube passou a fazer parte do caso: o São Paulo, adversário do time da Grande São Paulo na 33ª rodada do Brasileirão. Gilberto Cipullo, dirigente do Palmeiras, que briga pelo título com o Tricolor, ligou o sinal de alerta alegando que o afastamento dos atletas enfraqueceria o Barueri e que, portanto, a partida estaria “sob desconfiança”.


O São Paulo venceu o jogo por 1x0 e, dois dias depois, veio a notícia de que Renê e Val Baiano seriam reintegrados. A partir daí, mais insinuações e especulações.


De fato, foi absurdo o afastamento dos dois jogadores do Barueri. Tão ou mais absurdo foi reintegrá-los em curto período de tempo. Dizem que o desligamento da partida contra o Tricolor se deu porque o atual presidente do Barueri é são-paulino. E se for? O que o São Paulo tem a ver com isso?


E a reflexão mais importante (perdão pelas merecidas letras garrafais): com todo respeito que merecem os dois atletas, MAS O DIA QUE O SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE ACHAR NECESSÁRIO BOLAR UM PLANO PARA AFASTAR RENÊ (!!) E VAL BAIANO (!!!!) DO ADVERSÁRIO QUE IRÁ ENFRENTAR, É PORQUE TEM QUE FECHAR AS PORTAS!


Chegaram a levantar a possibilidade, ainda, de que um possível acordo entre Barueri e São Paulo foi motivado pela concessão da Arena Barueri enquanto o Morumbi esteja em reformas para a Copa-2014. Quem especula isso, está muitíssimo mal informado.


A Arena Barueri pertence à Prefeitura da cidade e o clube Grêmio Barueri Futebol Ltda., que manda seus jogos no local, paga pelo seu aluguel. Portanto, se o São Paulo tiver que negociar para jogar neste estádio, terá de fazê-lo com o governo municipal de Barueri, e não com o clube da cidade.


Vale o adendo de que a prefeitura de Barueri e o Grêmio Barueri Futebol Ltda. estão em litígio, o que elimina qualquer relação que tentem fazer nesta especulação em torno da utilização da Arena Barueri pelo São Paulo.


Em seus primórdios, o Barueri contou com o aporte financeiro do governo municipal. Por conta disso, em 2006 o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado decidiram proibir o direcionamento de recursos públicos a clubes de futebol profissional.


Dessa decisão nasceu o Grêmio Barueri Futebol Ltda., o que desagradou o prefeito da cidade Rubens Forlan, pois a transformação do clube em empresa beneficiaria um grupo restrito formado por cinco dirigentes (sócios), dentre eles o presidente licenciado Walter Sanchez e o seu filho. Forlan desejava ver o novo Barueri como um clube que pudesse ter um quadro de associados e um estatuto, nos moldes de São Paulo, Corinthians e Palmeiras, por exemplo.


Todas essas ponderações devem (ou deveriam) ser levadas em consideração antes de qualquer acusação ou ilação que incrimine o São Paulo no caso da “mala branca” ou no afastamento dos atletas. Ou, se há desconfiança, que se faça a devida apuração antes de discutir o assunto. Insinuações não fazem parte do jornalismo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Busca por qualidade de vida alavanca corridas de rua

Socialização e saúde são as principais causas para a adesão à corrida, diz professor


RAFAEL BUENO

GUSTAVO QUATTRONE

O bem-estar físico e mental é objetivo bastante comum às pessoas. Atingi-lo, no entanto, não tem sido tarefa fácil nos dias atuais, muito em razão do significativo aumento do sedentarismo e estresse. Para combater estes comportamentos prejudiciais, profissionais da saúde recomendam cada vez mais aos seus clientes a prática de atividades físicas regulares.

Na tentativa de adquirir a tão almejada melhor qualidade de vida, as corridas de rua têm sido bastante requisitadas para esta finalidade. Em 2008, a Federação Paulista de Atletismo, registrou mais de 372 mil inscritos em corridas de rua que aconteceram na cidade de São Paulo. A Corpore – clube de corridas com quase 230 mil associados e principal organizadora de eventos do ramo no Brasil – registra, ano a ano, o crescimento de participantes nas corridas que promove. No início da década, foram 28,4 mil inscritos, enquanto no ano passado esse número saltou para 132,1 mil.

O professor de educação física André Ribeiro, 33 anos, dono da AR4 Assessoria & Consultoria Esportiva, confirma o ideal da qualidade de vida como propulsor das corridas de rua. “A alta procura pelas corridas é pelo trabalho em grupo, que possibilita a socialização, e pelo objetivo da saúde, em que as pessoas procuram a corrida por indicação de médicos e amigos”, diz. Outros fatores como o baixo custo e a praticidade (requer apenas um par de tênis e shorts) também são citados por Ribeiro.


De acordo com o professor, “para falar de qualidade de vida são necessários exames básicos, como o teste ergométrico, a avaliação física, dentre outros”. Em casos específicos, em que se evidencia o sobrepeso, por exemplo, Ribeiro opta por nem pedir a avaliação física “para não desmotivar” o aluno. Apenas após três meses do início do plano de treinamento é que uma avaliação mais detalhada será feita, dependendo da frequência do praticante nos treinos.


O corredor Bruno Celso, de 23 anos, é um caso emblemático de quem optou pela corrida no périplo em busca de uma vida mais saudável. Há três anos e meio, resolveu correr e procurou a assessoria do professor André Ribeiro. Celso pesava 140 kg; hoje pesa 105 kg. “O objetivo era perder peso. Esses problemas como o colesterol podem acarretar num enfarte. E eu tenho o histórico familiar, que não ajudava também”, explica o atleta amador, que ainda pretende perder mais 10 kg. Para conseguir atingir a nova meta, Celso mantém sua rotina de treinos e diz controlar sua alimentação. “Eu mesmo me controlo, procuro comer menos e comer coisas mais saudáveis. Nos fins de semana que a gente quebra um pouco isso”, diz.

Bruno Celso mostra as medalhas que ganhou com a participação em corridas

Com o tempo, a corrida deixa de ser considerada apenas um meio para atingir o objetivo de melhorar a qualidade de vida – ela se torna quase que indispensável na vida das pessoas. É o caso de Celso: “não fico mais sem a corrida. Peguei gosto e, se fico uma semana parado, a musculatura fica solta e tenho a sensação até de que engordei. Tem certos treinos que são chatos, porque você sai muito desgastado no fim, mas sei que são importantes. O legal mesmo é a corrida: quando você termina, a sensação é muito boa e você acaba levando essa sensação para frente”.


A corrida se tornou tão popular entre os brasileiros que até um programa de rádio semanal foi criado: o Fôlego, veiculado na Rádio Bandeirantes, que vai ao ar todo domingo, das 8h30 às 9h00. O apresentador do programa, o jornalista Ricardo Capriotti, explicou por e-mail de onde surgiu a ideia do programa: “depois que eu comecei a correr, em 1999, observei o crescimento do número de praticantes. No início me machuquei bastante por falta de orientação especializada e, para não deixar que outros corredores cometessem o mesmo erro, resolvi prestar um serviço nesta área”.


Capriotti diz que a corrida surgiu como opção após uma cirurgia que teve de fazer. A orientação inicial era para que caminhasse durante 30 minutos, todos os dias. Naturalmente, passou da caminhada para a corrida. “Meu objetivo principal era ganhar saúde e qualidade de vida. Consegui alcançar isto. Hoje, com 43 anos, me sinto muito melhor do que vinte anos atrás”, relata o apresentador do programa Fôlego.

Serviço

AR4 Assessoria & Consultoria Esportiva

Site: www.ar4consultoria.com.br
Tel.: (11) 8382-0748 (professor André Ribeiro).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Errata

No post Olimpíada 2016, confirmada para o Rio, une desconfiança e empolgação, a informação de que o orçamento inicial do Pan-2007 era de R$ 710 milhões não procede.

O valor correto é estimado em R$ 400 milhões, com algumas variações para mais (como já era de se esperar - para menos é que não seria, né?).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Olimpíada 2016, confirmada para o Rio, une desconfiança e empolgação

Está decidido: a cidade do Rio de Janeiro receberá os Jogos Olímpicos de 2016. Trata-se, obviamente, de uma decisão histórica. Afinal, será a primeira Olimpíada a ser organizada na América do Sul.

Não há como ignorar a presença do evento poliesportivo mais importante do planeta. A festa que se fez no Rio de Janeiro após a escolha da cidade-sede dos Jogos 2016 retrata o quão significativo é para uma nação receber um evento dessa magnitude.

No entanto, em se tratando de Brasil, há motivos para tanta festa? É o que se procurará responder nas linhas adiante.

Quem apoia a Olimpíada brasileira, utiliza como argumento a oportunidade de desenvolvimento em diversos setores. A economia brasileira será movimentada com o elevado número de turistas. O transporte e a rede hoteleira terão grande investimento. A segurança, um dos principais problemas enfrentados por fluminenses e cariocas, também receberá maior atenção (a partir de 2012, o governo federal promete direcionar R$ 700 milhões). Diversos empregos serão gerados.

Não se questiona nada disso. Certamente haverá muitos prós, que beneficiarão especialmente os cidadãos cariocas. E que não se veja aqui nenhuma conotação bairrista, pois não há mais bela cidade a receber os Jogos que não a Cidade Maravilhosa.

O que não se pode, contudo, é fechar os olhos para os contras deste projeto Rio-2016, que não são poucos. Não se trata de complexo de vira-lata, pois é evidente que países de primeiro mundo também enfrentam alguns dos transtornos que serão expostos, às vezes até em maior nível.

As mesmas cabeças que estiveram à frente dos Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007 se encontram agora no comando do Comitê de Candidatura Rio-2016. Não é segredo para ninguém que as obras do Pan foram superfaturadas: do orçamento de R$ 710 milhões, o gasto final ficou estimado em R$ 3,7 bilhões.

O legado para a população também foi quase nulo. O Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo são subutilizados e estão às moscas.

Essas preocupações e outras não menos importantes, como os esquemas de licitação entre construtoras e governos, devem ser constantes na memória de todos os brasileiros. Mais que isso, é fundamental cobrar transparência desde já, ainda que restem sete anos para a inédita Olimpíada sul-americana.

A corrupção preocupa, porém não é somente ela. No discurso de quem se opõe aos Jogos Olímpicos do Rio, o argumento de que há outras necessidades para serem priorizadas no país é frequente.

De fato, o Brasil apresenta diversas dificuldades em seu sistema de saúde, educação (o recente episódio do vazamento da prova do Enem é só a ponta do iceberg), transporte, dentre outros, que poderiam contar com a bagatela de R$ 28,8 bilhões – este é o orçamento previsto para a Olimpíada 2016.

O que mais intriga, porém, não são apenas esses problemas. A política de esporte nacional no Brasil é precária. As aulas de educação física com um mínimo de decência são privilégios para poucas crianças, bastando ver a situação calamitosa das quadras esportivas das escolas públicas e a falta de materiais para as atividades.

Não seria coerente investir na base do esporte brasileiro antes de se pensar em Olimpíada? Essa é uma questão que deveria ter sido bem avaliada, além de todos os demais problemas e necessidades.

Ao fim de tudo, resta a nós, cidadãos e imprensa, agir, cobrar, fiscalizar.

E torcer. Torcer para que haja a devida transparência nos gastos com as obras que serão realizadas. Torcer para que a corrupção se faça menos presente, apesar da descrença naqueles que estão no comando.

Que as oportunidades de progresso visualizadas no projeto Rio-2016 deixem o campo da utopia e se materializem. A despeito do ceticismo que nos acomete, a torcida fica também para que o legado pós-Olimpíada seja realmente desfrutável.